18 de set de 2007

Crônica das Reticências

Mayara Machado

...Eu amo as reticências! Elas são o início, meio ou fim mais perfeito que se pode dar a uma frase. Trazem expectativa, enigma... Estão sempre lá, preenchendo o espaço daquilo que a gente não sabe, não quer ou prefere simplesmente não dizer. Ou pra mostrar que sabemos exatamente qual(is) palavra(s) caberia(m) sobre aqueles três pontinhos.

Reticências não são ponto final. Não um, mas três! Três pontos, lado a lado; três Marias! Um desfecho que sugere continuidade... ou não. A vírgula divide a frase em quantas partes o lápis (ou caneta) quiser. Os pontos encerram a mesma frase, dão a ela um término, de acordo com a idéia que se quer passar. Mas elas, as reticências, servem para tudo isso.

E como é lindo ver aqueles três pingos entre as letras que nossos olhos traduzem...

Representam o sim, o não... mas, principalmente, o talvez. Podemos usá-las para dizer que amamos uma pessoa, ou que a odiamos, ou, simplesmente, para dizer que estamos com saudades...Se eu chegasse pra você e dissesse que eu... que eu...Pronto! Lá estavam elas. E não importa o que eu ia dizer. Poderia ser uma besteira qualquer, mas você quis saber... e por causa delas!

Os populares “três pontinhos” são um recurso fabuloso da nossa escrita. Pare pra pensar: Muita gente diz que é preciso saber ler nas entrelinhas... pois eu digo que o que é preciso é saber ler nas reticências! Elas valem mais do que mil palavras... ou uma só...!

E quer saber do que mais?...Se você não quer dizer com todas as letras......Eu também não digo...

Foto: Prece de Vitor Nunes

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