27 de jul de 2010

Na Fogueira

Raíça Bonfim
Em minhas entranhas
Mora uma bruxa louca
Berra lá de dentro
Curvo, rouca.
Vive no meu corpo
Como foi-se um dia
Presa na fogueira
Grita, grita.
Não posso exibi-la
Não quero mais sê-la
Está possuída
Bruxa! Bruxa!
Corto as unhas dela
Arranco seus dentes
Ela ainda fere
Quente, quente.
Em lua crescente
Vem feito serpente
Me morder a boca
Louca! Louca!
Toma minha fala
Chama por um nome
Chama me consome
Fogo, fome.
Peço que desista
Rezo pra niná-la
Nela não há pena
Choro, choro.
Viro mãe, menina
Viro irmã serena
Ela me condena
Mente! Mente!
Me sacode a carne
Danço toda em transe
Transa de poeira
Corro, corro.
Quando a lua enche
Ela busca o gozo
Ele tem um dono
Não! Me escondo.
Canto agonizando
Cigarra vadia
Ela ainda clama
Vem! Me toma!

Mas de manhãzinha
Afogada em sede
Rende-se na cama.
(ama)
Carne seca cede.
Morre. Morro.
Mais um dia.
Sempre...





Ao som de Apocalyptica (the unforgiven) do Mettalica

Foto: The_Porcelain_Doll_by_RGFoto

2 comentários:

A.S. disse...

Nane...

Este belo poema é para ler, reler, e voltar a ler!
A sua expressão poética é sublime!
Puro extase...


Um BeijO
AL

Nane Martins disse...

Querido, o poema é da Raíça e não meu. Infelizmente.

bjussssssss

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