30 de jan. de 2008

Nelson Rodrigues


Nelson Rodrigues


"A mais tola das virtudes é a idade.
Que significa ter quinze, dezessete, dezoito ou vinte anos?
Há pulhas, há imbecis, há santos,
há gênios de todas as idades."


Foto: Tela de Matisse

Nada é impossível mudar

Bertold Brecht

Nada é impossível mudar
Desconfiai do mais trivial,
na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada,
de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural
nada deve parecer impossível de mudar.

Foto: Acanhado e curioso de Vitor Nunes

Solidão

Clarice Lispector


"Minha força está na solidão.
Não tenho medo nem das chuvas tempestivas
nem das grandes ventanias soltas,
pois eu também sou o escuro da noite"
Foto: Lua de Artur Branco

COM LICENÇA POÉTICA

Adélia Prado

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza
e ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade da alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável.
Eu sou

In Adélia Prado, Poesia Reunida
Siciliano, São Paulo, 1991

Foto: Tela de Gustav Klimt

Francis Bacon,


Francis Bacon no ensaio"Da Juventude e da Idade"

"Os jovens são mais aptos para inventar do que para julgar, mais aptos para a execução do que para o assessoramento, e mais aptos para novos projetos do que para atividades já estabelecidas; porque a experiência da idade em coisas que estejam ao alcance dessa idade os dirige; mas em coisas novas, os maltrata. (...) Os jovens, na conduta e na administração dos atos, abraçam mais do que podem segurar, agitam mais do que podem acalmar; voam para o fim sem consideração para com os meios e os graus; perseguem absurdamente alguns princípios com que toparam por acaso; não se importam em "(isto é, em como)" inovar, o que provoca transtornos desconhecidos. (...)

Os homens maduros fazem objeções demais, demoram-se demais em consultas, arriscam-se muito pouco, arrependem-se cedo demais e raramente levam o empreendimento até o fim, mas se contentam com uma mediocridade de sucesso. Não há dúvida de que é bom forçar o emprego de ambos (...), porque as virtudes de qualquer um deles poderão corrigir os defeitos dos dois."


Foto: Modelo de Paulo gonçalves

O Elogio do Conhecimento

Francis Bacon

"Meu elogio será dedicado à própria mente. A mente é o homem, e o conhecimento é a mente; um homem é apenas aquilo que ele sabe. (...) Não são os prazeres das afeições maiores do que os prazeres dos sentidos, e não são os prazeres do intelecto maiores do que os prazeres das afeições? Não se trata, apenas, de um verdadeiro e natural prazer do qual não há saciedade? Não é só esse conhecimento que livra a mente de todas as perturbações? Quantas coisas existem que imaginamos não existirem? Quantas coisas estimamos e valorizamos mais do que são? Essas vãs imaginações, essas avaliações desproporcionadas, são as nuvens do erro que se transformam nas tempestades das perturbações. Existirá, então, felicidade igual à possibilidade da mente do homem elevar-se acima da confusão das coisas de onde ele possa ter uma atenção especial para com a ordem da natureza e o erro dos homens? De contentamento e não de benefício? Será que não devemos perceber tanto a riqueza do armazém da natureza quanto a beleza de sua loja? Será estéril a verdade? Não poderemos, através dela, produzir efeitos dignos e dotar a vida do homem com uma infinidade de coisas úteis?" ."


(O Elogio do Conhecimento (1592); Francis Bacon)
Foto: De João Parassu

Olavo Bilac

Olavo Bilac (Cruz e Souza)
(Poema agrupado posteriormente e publicado em O Livro Derradeiro — Outros Sonetos)

Vim afinal para o solar dos astros,
De irradiações puríssimas e belas,
Numa viagem de alterosos mastros,
Numa viagem de saudosas velas...

Das alegrias nos febris enastros
Que as almas prendem para percebê-las,
Vim cantando e feliz, fugindo aos rastros
Da terra de onde vi e ouvi estrelas.

E por aqui, nas lúcidas paisagens,
Vestido das mais fluídicas roupagens
Tecido de ouro, nos clarões imersos...

Ando a gozar, entre lauréis e palmas,
O que cantei na terra, junto às almas,
Na eterna florescência dos meus versos.

Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

"Que suave é o ar! Como parece Que tudo é bom na vida que há! Assim meu coração pudesse Sentir essa certeza já. Mas não; ou seja a selva escura Ou seja um Dante mais diverso, A alma é literatura E tudo acaba em nada e verso. "

29 de jan. de 2008

Assim é o medo

Henriqueta Lisboa

Assim é o medo:
Cinza
Verde.
Olhos de lince.
Voz sem timbre
Torvo e morno
Melindre.

Da sombra espreita
à espera de algo

que o alente.
Não age: tenta
porém recua
a qualquer bulha.

No campo assiste
junto ao títere
à cruz que esparze
vivo gazeio
de nervosismo
com vidro moído
grácil granizo
de pássaros.

E que rascante
violino brusco
não arrepia
ao longo o azul
dos meus veludos
se, a noite em meio
cá no fundo
quarto escuro,
a lua arrisca
numa oblíqua
o olhar morteiro.

Dentro da jaula(mundo inapto)
do domador
em fúria à fera
subsinuosa-
mente resvala.

Aos frios reptos
do ziguezague
em choque, súbito
relampagueio,

as duas forças
se opõem dúbias
se atraem foscas
para a luta
pelo avesso:
despiste e fuga
ouro e vermelho
desde a entranha.

As duas forças
antagônicas:
qual delas ganha
acaso
ou perde
o medo
frente a
frente ao
medo?



Publicado: Além da Imagem (1963)

23 de jan. de 2008

Clarice Lispector



Clarice Lispector

"E se me achar esquisita, respeite também.
Até eu fui obrigada a me respeitar.




Foto: Holli IX by ~HannaKristina on deviantART

Amizade...


Ralph Waldo Emerson


A glória da amizade não é a mão estendida,
nem o sorriso carinhoso,
nem mesmo a delícia da companhia.
É a inspiração espiritual que vem
quando você descobre que alguém
acredita e confia em você.

Foto: Educar é amar a dobrar de José Manuel Carvalho

18 de jan. de 2008

Henri Poincaré

Henri Poincaré

“o sábio não estuda a natureza pelo fato dela ser útil; ele a estuda porque isso lhe dá prazer, e isso lhe dá prazer porque a natureza é bela. Se a natureza não fosse bela, não valeria a pena que ela fosse conhecida;, a vida não valeria a pena ser vivida... Eu não falo aqui, bem entendido, desta beleza que impressiona os sentidos, a beleza das qualidades e das aparências; não que eu não a aprecie, longe disso, mas ela não tem nada a ver com a ciência; eu quero falar desta beleza mais íntima que vem da ordem harmoniosa das partes, e que uma inteligência pura pode se apoderar. é ela que dá um corpo, um esqueleto por assim às aparências cintilantes que estimula os nossos sentidos, e sem esse suporte, a beleza destes sonhos fugitivos seria imperfeita porque ela seria indecisa e sempre fugaz. Ao contrário, a beleza intelectual é auto suficiente e é por ela, mais talvez que para o bem futuro da humanidade, que o sábio se condena a longos e penosos trabalhos.”Science et Méthode, pág. 15.


" Duvidar de tudo ou crer em tudo. São duas soluções igualmente cômodas, pois uma ou outra nos dispensam, de refletir”.

13 de jan. de 2008


Rainer Maria Rilke

“Não é somente a inércia culpada pela repetição dos relacionamentos humanos, caso a caso, indescritivelmente, de forma monótona e sem renovação. É a timidez diante de novas e imprevisíveis experiências para as quais acreditamos não estar preparados. Mas somente alguém que está preparado para TUDO, que não exclui NADA, nem o mais enigmático, vivenciará a relação com o outro como algo vivo."

Foto: Direito à diferença de Brites dos Santos

12 de jan. de 2008

Mário Quintana tem razão


Mário Quintana


"Os anos são apenas linhas imaginárias.
As pessoas é que devem decretar
quando estão na flor da idade."

Foto: Autumn in the park de odddutch

11 de jan. de 2008

Norman Cuisins

Norman Cuisins

"A morte não é a maior perda da vida.
A maior perda da vida é o que morre dentro de nós enquanto vivemos."


Foto: Amendoeiras em flor, 1880 - Vicent van Gogh

Guimarães Rosa

João Guimarães Rosa

"De certo é que as pessoas, e as coisas, não são de verdade! Mire e veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas — mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou. Isso que me alegra, montão. De resto é essa modorra que leva a reservatórios profundos."

Foto: Belgium angel de odddutch

FÊNIX

José Magno

Morreram os olhos
A flor não medra
O sonho se desfez
Como uma estátua absorvida pela pedra.
Morreram os olhos
E a turva paisagem já não presta
Ah... não se presta a nada esta imagem.

E, no entanto, nítida num sonho,
Uma visão de deslumbrante limpidez
Me alumbra, inebria, enlouquece
E se esparge em mim e me absorve
E integro (turvo ou claro?) a paisagem

Foto: December in Delft de odddutch

Seja singular....



Jorge Forbes


"Não há quem não prefira o conforto da dor conhecida à insegurança de novas formas de ser. cuidado! ou cada um se faz responsável por sua singularidade, mesmo que esquisita, ou vira genérico, substituível, descartável. é uma questão de escolha."

Foto: Blue Brielle

10 de jan. de 2008

Frida Kahlo

Frida Kahlo

“É preciso ter força pra rir, relaxar e ser leve, a tragédia é ridícula.”

Foto: Smiling with tomatoes

Dualismo



Olavo Bilac

Não és bom, nem és mau: és triste e humano...
Vives ansiando, em maldições e preces,
Como se, a arder, no coração tivesses
O tumulto e o clamor de um largo oceano.

Pobre, no bem como no mal, padeces;
E, rolando num vórtice vesano,
Oscilas entre a crença e o desengano,
Entre esperanças e desinteresses.

Capaz de horrores e de ações sublimes,
Não ficas das virtudes satisfeito,
Nem te arrependes, infeliz, dos crimes:

E, no perpétuo ideal que te devora,
Residem juntamente no teu peito
Um demônio que ruge e um deus que chora.

Foto: Mulheres correndo na praia, ( A Corrida ) de Pablo Picasso
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