21 de jul de 2007

Ariano é nosso!



Essa polêmica figura que atrai críticas e elogios, nasceu em Nossa Senhora das Neves (que hoje se chama João Pessoa) em 16 de Junho de 1927, filho de família rica, influente, pai político, foi enviado a Recife, onde se formou advogado, e desde então, escreve! Mesmo que não tivesse optado pela carreira de escritor, Ariano ainda sim seria uma figura admirável! Defensor ferrenho da cultura brasileira, sem no entanto partir para o radicalismo de muitos da sua época, e do militarismo, que achavam que defender a cultura brasileira era impedir o acesso a cultura estrangeira. Ariano sempre acreditou que a qualidade de um livro estava acima de sua origem, leia bons livros brasileiros, aprenda sobre a cultura de seu povo, leia bons livros estrangeiros, conheça o que ocorre além de sua terra natal, poderíamos assim resumir seu pensamento. Muitos brasileiros devem conhecê-lo tão somente pelo filme global O Auto da Compadecida e, pensando tratar-se da adaptação de um romance, desconhecem que esse paraibano maravilhoso é dramaturgo e poeta! Ou seja, a adaptação do filme foi feita a partir de uma peça de teatro e não de um romance. Entre as críticas que ouvi sobre Ariano, lembro de uma letra de música, não sei de qual músico, que fala mais ou menos: “o Ariano ignora o africano”. Isso me deixou profundamente chateada! É necessário lembrar-nos um pouco de história do Brasil para entender Ariano, esse homem cujo pai foi governador do estado da Paraíba, e que ficou órfão aos 9 anos, quando foi morar com a mãe e oito irmãos na pequena vila de Itaperoá. O que inspira Ariano quando monta um personagem como Chicó ou João Grilo (d’O Auto da Compadecida)? Creio que ele remete a sua infância na Paraíba, e descreve com clareza e sinceridade a população local, cuja descendência de holandeses ainda deixa claros traços, literalmente, em seus vivos olhos claros e queimados cabelos loiros. Além de trabalhar com referênciais locais, quem critica Ariano desconhece que o mesmo é membro fundador do Conselho Federal de Cultura (de 1967), e esse foi só um dos títulos e cargos ocupados por ele em seu extenso trabalho na defesa da cultura. Não só do nordeste, mas do país. Infelizmente, a propaganda oficial do governo é de um nordeste negro. E essa sim, ignora a presença de índios e dos colonizadores, o que gerou a formação de um tipo único e maravilhoso, claramente descrito por Suassuna. Um povo sobrevivente, cheio de fé e esperança, tentando sobreviver em uma terra maltratada e com poucos recursos, tão brilhantemente concebidos, que tornam todos seus personagens marcantes. Selton Melo e Matheus Nachtergaele como os impagáveis João Grilo e Chicó, na versão cinematográfica d'O Auto da Compadecida Na poesia, Ariano é melancólico, fala da seca, da morte, do apego à terra, da infância, da morte marcada, com data certa, seja sempre fatídica, por acaso ou provocada. Temas tão nordestinos quanto a sua alma e ainda tão atuais, tenham sido escritos em 1950 ou ontem. O que prova que em cinqüenta anos o Brasil mudou muito, e ao mesmo tempo, mudou pouco, menos do que gostaríamos. E o povo continua forte e com fé, esperando providências, humanas ou divinas. Foi pensando no quanto sua obra é desconhecida – apesar d’O Auto da Compadecida – que resolvi colocar nesse espaço um dos poemas de Ariano que me chamou muito a atenção. Espero que gostem e que tenha despertado a curiosidade de vocês quanto a esse maravilhoso escritor.

Fonte

Um comentário:

Monkey disse...

Muito interessante!

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