21 de jul de 2007

Barcelona 16

Paula Toller
Eu não sabia que existia
Esse outro parto de partir
E me deixar na beira do cais
Filho sempre meu não mais

Eu não sabia que teria
Que ter você pela segunda vez
Dar a luz a arte e ao mar
E a tudo mais que você sonhar

Solta da minha mão
Leva o seu violão
Dentro do mochilão
Leva também o meu coração

Eu não sabia que existia
Esse outro parto de partir
E me deixar na beira do cais
Filho sempre meu não mais

Eu não sabia que teria
Que ter você pela segunda vez
Dar ao mundo e a tudo que há
E a tudo mais que você criar

Solta da minha mão
Leva o seu violão
Dentro do mochilão
Leva também o meu coração

Quando eu ouvi essa música pela primeira vez me passaram muitas imagens pela minha cabeça. Veio-me a visão do meu filho crescendo, se desprendendo de mim, indo pra o mundo, se libertando. Veio-me à mente também o pensamento de sobre como a minha mãe se sentiu ao ver todos os seus filhos se desgarrando. Eu já havia pensado nisso muitas vezes, é certo, mas essa música aflorou essa vontade de espalhar ao mundo. E Pensei novamente, tantas vezes que eu já havia imaginado, que quando a gente tem um filho é que passa a entender tudo o que os nossos pais sentiram, todos os cuidados que eles tiveram; é que a gente entende a profundidade e a a imensidão desse sentimento. Como a gente passa a ver, entender e sentir tudo diferente. Os medos são diferentes, são ao mesmo tempo mais intensos e mais presentes, e em contradição somos mais destemidos, quase semi-deuses. As dores parecem que agudizam mais, e tantas vezes trocaríamos a que eles sentem pela dor que poderíamos sentir, mesmo sabendo senti-las em favor deles não seria ajudá-los a construir sua propria dor. Na realidade a sensação é de proteção. O tempo todo é como estar com o freio de mão acionado para não cometer erros.
Mesmo assim me sinto mais livre e ao mesmo tempo mais presa, tenho mais momentos felizese também tenho mais dúvidas. Só sei que o olhar dele, o sorriso dele é tudo o que eu tenho de mais importante, de mais sublime, de mais eterno. Me tiram todas as augruras que porventura eu esteja sentindo. Quanta responsabilidade para um filho. E pensar que eu já carreguei e anda carrego também esse peso. As mães e os pais sofrem mais quando têm filhos, mas por outro lado, são bem mais felizes. Eu sou extremamente feliz só por tê-lo, ele é o meu maior presente. Todos os dias eu declaro a ele e incondicionalidade do meu amor. Mas sei que quando ele soltar da minha mão "vai levar o meu coração". Disso eu tenho certeza.

Um comentário:

Catia disse...

Você disse tudo amiga...filho é a maior benção que Deus dá para alguém. Quando alguém pergunta se tenho medo da morte, eu respondo que sim, e sabe por quê? Enquanto era sozinha não a temia, mas agora perdi o direito disso, agora tenho duas poderosas amarras, as minhas filhas maravilhosas. É um bem-querer, um amor tão ilimitado que quero apreciá-lo por muitos e muitos anos, se Deus assim deixar.

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