A todos trato muito bem
sou cordial, educada, quase sensata,
mas nada me dá mais prazer
do que ser persona non grata
expulsa do paraiso
uma mulher sem juízo, que não se comove
com nada
cruel e refinada
que não merece ir pro céu, uma vilã de novela
mas bela, e até mesmo culta
estranha, com tantos amigos
e amada, bem vestida e respeitada
aqui entre nós melhor que ser boazinha
"Não vou abandonar meu cão na porta do vizinho,
nem deixar as contas vencidas.
não deixarei tickets e vales no bolso da calça jeans,
nem chicle extra para emergências.
não esquecerei calcinhas no varal,
nem os presentes de Natal.
o que deixo já é crescido e preparado.
não deixaria nada para outro refazer ou apenas esquentar.
não partiria em fuga, nem mesmo por frustração.
parto por amor próprio, por paixão pela natureza,
por acreditar que serei mais útil em outro lugar,
por escolha e pela certeza que o novo logo vai começar.
levo boas recordações, deixo saudades, o meu novo endereço
e aquele convite para um encontro em breve.
como uma pipa, leve. Leve!"
Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentando
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas
nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção,um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta,muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite
encontrem sem fatalidade
o olhar estático da aurora.
Desmediocrize sua vida. Procure seus "desaparecidos", resgate seus afetos.
Aprenda com quem tiver algo a ensinar, e ensine algo àqueles que estão engessados em suas teses de certo e errado.
Troque experiências, troque risadas, troque carícias. Não é preciso chegar num momento limite para se dar conta disso. O enfrentamento das pequenas mortes que nos acontecem em vida já é o empurrão necessário. Morremos um pouco todos os dias, e todos os dias devemos procurar um final bonito antes de partir."