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7 de nov. de 2010


Eu digo sempre que das três virtudes teologais chamadas,
eu sou fraco na fé e fraco na qualidade, 
só me resta a esperança. 
Eu sou o homem da esperança.




Foto: Não sei de quem  é a foto

22 de set. de 2010



Ariano Suassuna



"Que eu nao perca a vontade de ter grandes amigos,
mesmo sabendo que,
com as voltas do mundo,
eles acabam indo embora de nossas vidas"






Ao som de Roberto Carlos (Amor sem Limite)
Foto: best_friends_by_Bethany____Joy

9 de dez. de 2009

O Amor e a Morte


Ariano Suassuna

Com tema de Augusto dos Anjos

Sobre essa estrada ilumineira e parda
dorme o Lajedo ao sol, como uma Cobra.
Tua nudez na minha se desdobra
— ó Corça branca, ó ruiva Leoparda.

O Anjo sopra a corneta e se retarda:
seu Cinzel corta a pedra e o Porco sobra.
Ao toque do Divino, o bronze dobra,
enquanto assolo os peitos da javarda.

Vê: um dia, a bigorna desses Paços
cortará, no martelo de seus aços,
e o sangue, hão de abrasá-lo os inimigos.

E a Morte, em trajos pretos e amarelos,
brandirá, contra nós, doidos Cutelos
e as Asas rubras dos Dragões antigos.

Fonte: www.revista.agulha.nom.br

Foto: Midnight_by_Marisilme

2 de dez. de 2008

Palavras de Ariano


"O que encanta é a recriação"

"Me chamem de doido que eu prefiro"
"Eu sou devoto do sonho"


"Suassuna com ç é nome de cobra,
Suassuna com SS é nome de onça"


"Como sou escritor me acho no direito de mentir"

As palavras iniciais de Ariano ao admirar-se com a uma grande platéia:
"Isso não é uma palestra e sim um comício"
Foto retirada do Orkut de Lanaíza

3 de jan. de 2008

Abertura sob pele de ovelha



* Ariano Suassuna


Falso Profeta, insone, Extraviado,
vivo, cego, a sondar o indecifrável:
e, jaguar da Sibila – inevitável
meu sangue traça a rota deste Fado.
Eu, forçado a ascender, eu, Mutilado
busco a Estrela que chama, inapelável.
E a Pulsação do Ser, Fera indomável,
arde ao sol do meu Pasto - incendiado.
Por sobre a Dor, a Sarça do Espinheiro
que acende o estranho sol, sangue do Ser,
transforma o sangue em Candelabro e Veiro,
Por isso, não vou nunca envelhecer
com meu cantar, supero o Desespero
sou contra a Morte e nunca hei de morrer"


Foto: Ilusões de José Vaz de Meneses

24 de nov. de 2007

Ariano pelas mãos de Priscila Holanda!

Aqui morava um rei
Ariano Suassuna

Aqui morava um Rei quando eu menino
Vestia ouro e castanho no gibão
Pedra da sorte sobre o meu destino
Pulsava junto ao meu seu coração

Para mim, seu cantar era divino
Quando ao som da viola e do bordão
Cantava com voz rouca o desatino
O sangue o riso e as mortes do sertão

Mas mataram meu pai, desde esse dia
Eu me vi como um cego sem meu guia
Que se foi para o sol, transfigurado


Sua Efígie me queima, eu sou a presa
Ele a brasa que impele ao fogo, acesa,
Espada de ouro em Pasto Ensangüentado

Foto: O imperador Armorial de Priscila Holanda, devidamente autorizada pela artista que é inteira e genuinamente paraibana mas, para o mundo!

21 de jul. de 2007

Ariano é nosso!



Essa polêmica figura que atrai críticas e elogios, nasceu em Nossa Senhora das Neves (que hoje se chama João Pessoa) em 16 de Junho de 1927, filho de família rica, influente, pai político, foi enviado a Recife, onde se formou advogado, e desde então, escreve! Mesmo que não tivesse optado pela carreira de escritor, Ariano ainda sim seria uma figura admirável! Defensor ferrenho da cultura brasileira, sem no entanto partir para o radicalismo de muitos da sua época, e do militarismo, que achavam que defender a cultura brasileira era impedir o acesso a cultura estrangeira. Ariano sempre acreditou que a qualidade de um livro estava acima de sua origem, leia bons livros brasileiros, aprenda sobre a cultura de seu povo, leia bons livros estrangeiros, conheça o que ocorre além de sua terra natal, poderíamos assim resumir seu pensamento. Muitos brasileiros devem conhecê-lo tão somente pelo filme global O Auto da Compadecida e, pensando tratar-se da adaptação de um romance, desconhecem que esse paraibano maravilhoso é dramaturgo e poeta! Ou seja, a adaptação do filme foi feita a partir de uma peça de teatro e não de um romance. Entre as críticas que ouvi sobre Ariano, lembro de uma letra de música, não sei de qual músico, que fala mais ou menos: “o Ariano ignora o africano”. Isso me deixou profundamente chateada! É necessário lembrar-nos um pouco de história do Brasil para entender Ariano, esse homem cujo pai foi governador do estado da Paraíba, e que ficou órfão aos 9 anos, quando foi morar com a mãe e oito irmãos na pequena vila de Itaperoá. O que inspira Ariano quando monta um personagem como Chicó ou João Grilo (d’O Auto da Compadecida)? Creio que ele remete a sua infância na Paraíba, e descreve com clareza e sinceridade a população local, cuja descendência de holandeses ainda deixa claros traços, literalmente, em seus vivos olhos claros e queimados cabelos loiros. Além de trabalhar com referênciais locais, quem critica Ariano desconhece que o mesmo é membro fundador do Conselho Federal de Cultura (de 1967), e esse foi só um dos títulos e cargos ocupados por ele em seu extenso trabalho na defesa da cultura. Não só do nordeste, mas do país. Infelizmente, a propaganda oficial do governo é de um nordeste negro. E essa sim, ignora a presença de índios e dos colonizadores, o que gerou a formação de um tipo único e maravilhoso, claramente descrito por Suassuna. Um povo sobrevivente, cheio de fé e esperança, tentando sobreviver em uma terra maltratada e com poucos recursos, tão brilhantemente concebidos, que tornam todos seus personagens marcantes. Selton Melo e Matheus Nachtergaele como os impagáveis João Grilo e Chicó, na versão cinematográfica d'O Auto da Compadecida Na poesia, Ariano é melancólico, fala da seca, da morte, do apego à terra, da infância, da morte marcada, com data certa, seja sempre fatídica, por acaso ou provocada. Temas tão nordestinos quanto a sua alma e ainda tão atuais, tenham sido escritos em 1950 ou ontem. O que prova que em cinqüenta anos o Brasil mudou muito, e ao mesmo tempo, mudou pouco, menos do que gostaríamos. E o povo continua forte e com fé, esperando providências, humanas ou divinas. Foi pensando no quanto sua obra é desconhecida – apesar d’O Auto da Compadecida – que resolvi colocar nesse espaço um dos poemas de Ariano que me chamou muito a atenção. Espero que gostem e que tenha despertado a curiosidade de vocês quanto a esse maravilhoso escritor.

Fonte
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