9 de ago. de 2010

Hilda Hilst





"Como me sinto? Como se colocassem dois olhos sobre uma mesa e dissessem a mim  a mim que sou cego : isso é aquilo que vê, essa é a matéria que vê. Toco os dois olhos sobre a mesa, lisos, tépidos ainda, arrancaram há pouco, gelatinosos, mas não vejo o ver . É assim o que sinto tentando materializar na narrativa a convulsão do meu espírito, e desbocado e cruel, manchado de tintas, essas pardas escuras do não saber dizer , tento amputado conhecer o passo, cego conhecer a luz, ausente de braços tento te abraçar.






Foto: by_ennabird

7 de ago. de 2010

Francis Bacon

 
 
 
''Um homem esperto cria mais oportunidades do que encontra."
 
 
 
 
 
Ao som de tony Bennett (Fly me to the Moon)
Foto: Equilibrio no descanço de Jose Canelas

E de Agora Em Diante

 Oswaldo Montenegro

E de agora em diante teria sido decretado o amor sem problemas
E seriam vitrines nos olhos, e as almas vagariam sem medo
E de agora em diante seria pra sempre o que pra sempre acabara
E seria tão puro o desejo dos homens,
Que dionisio enlaçaria a virgem com braços enternecidos
E aplaudiríamos, calmos e frenéticos como um são francisco febril
E de agora em diante pra trás não haveria
Não mais a virtude dos fortes, mas o mérito dos suaves
O homem feminino e a mulher guerreira
O amor comunitário, sem ciúmes.
Dariam as mãos as moças que amo e brincariam de roda em volta de minha preferida
E um artesão criança esculpiria flores nos cabelos e um sorriso sincero no rosto
E de agora em diante mahatma ghandi tava vivo pra sempre e jesus era hippie,
Beethoven era roqueiro e lenon era como nós
E se não desse certo, de agora em diante, ao menos teríamos tentando.







Ao som de Johnny Cash - (Hurt)

Foto: Não sei a fonte

Eu No Sol

Composição: Jane Duboc e Oswaldo Montenegro


será que ainda não é claro
tudo que eu preciso ser?
como voa a gaivota quero ser
como o vento, ser
não é meu primeiro sonho
mais de mil você desfez
olha a nossa roupa velha
no varal e eu no sol!





Ao som de George Michael (Careless Whisper)
Foto: ___With_Arms_Wide_Open____by_Zugo

limite

Sylvia plath
 
A mulher está perfeita.
Seu corpo

Morto enverga o sorriso de completude,
A ilusão de necessidade

Grega voga pelos veios da sua toga,
Seus pés

Nus parecem dizer:
Já caminhamos tanto, acabou.

Cada criança morta, enrodilhada, cobra branca,
Uma para cada pequena

Tigela de leite vazia.
Ela recolheu-as todas

Em seu corpo, como pétalas
Da rosa que se encerra, quando o jardim

Enrija e aromas sangram
Da fenda doce, funda, da flor noturna.

A lua não tem porque estar triste
Espectadora de touca

De osso; ela está acostumada.
Suas crateras trincam, fissura.





translated by Luiz Carlos de Brito Rezende
(in FOLHETIM Poemas Traduzidos, Ed. Folha de S. Paulo, Brazil, 1987, p. 65)

Ao som de João Gilberto (Desafinado) 

Foto:  Fragile by neeta

Do filme Àgora



"Se não questiona o que acredita, 
você não pode acreditar"





Foto: Dancing_lights_by_egg_revolution
Ana Jácomo

"Que as dificuldades que eu experimentar 
ao longo da jornada 
não me roubem a capacidade de encanto."





Foto: Não sei de quem é a foto







5 de ago. de 2010

Dia

 Mongol

A barra do dia raiou
Você precisava escutar
Que coisa mais linda, morena
Que é o canto da gente
Na beira do mar
Quisera pegar com a mão
Quisera eu, queria pegar.








ao som de Oswaldo Montenegro (Intuição)

Foto: sunrise. by ~MikeKnoxville

3 de ago. de 2010

Grão de Amor

Composição: Carlinhos Brown / Marisa Monte

Me deixe sim
Mas só se for
Pra ir ali
E pra voltar

Me deixe sim
Meu grão de amor
Mas nunca deixe
De me amar

Agora as noites são tão longas
No escuro eu penso em te encontrar
Me deixe só
Até a hora de voltar

Me esqueça sim
Pra não sofrer
Pra não chorar
Pra não sentir

Me esqueça sim
Que eu quero ver
Você tentar
Sem conseguir

A cama agora está tão fria
Ainda sinto seu calor
Me esqueça sim
Mas nunca esqueça o meu amor

É só você que vem
No meu cantar meu bem
É só pensar que vem
Láia laia
Me cobre mil telefonemas
Depois me cubra de paixão
Me pegue bem
Misture alma e coração
Ao som de Tribalistas  (Grão de Amor)

Foto: I_miss_you_by_Alephunky

1 de ago. de 2010

Por Que Você Não Vem Morar Comigo?

Chico César


Por que você não vem morar comigo
Alimentar meu cão, meu ego
Cansei de ser assim, colega
Não sei mais ser só seu amigo

Eu quero agora ser o seu amado
Você me deixa a perigo
O amor me corta feito adaga
Mas vem você e afaga
Com afeto tão antigo

Você não leva a sério o que eu digo
E enche a taça que me embriaga
Me prega em cruz feito jesus de praga
Mas sempre me defende e compra minhas brigas

Não ligo
Se é amor ou amizade vaga
Dizem que o amor a amizade estraga
E esta a este tira-lhe o vigor

Não ligo
Se é caretice ou romantismo brega
Um dia em mim essa aflição sossega
More comigo e traga o seu amor

Adoro o jeito que você me pega
Me chama de meu nego, minha nega
E quando me abraça e eu me entrego
Vem você e diz cuidado com esse apego

Amigos falam que esse mico eu pago
Pois mudo logo quando você chega
E acende a luz, mas essa luz me cega
E abre em rosa a pedra que no peito eu trago






Ao som de Chico César (Pensar em você)

Foto: lav_by_simagree

Os Três Mal-Amados


João Cabral de Melo Neto

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés.  
Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.






Ao som de Cordel do Fogo Encantado (Dos três mal amados)

foto: amor_by_robarTuSonrisa

28 de jul. de 2010

Adversativa


Nane Martins


Convém imaginar que eu sou outra
Convém sentir-me extremada
Convém comportar-me exagerada.
Convém mostrar-me descomedida
Desregrada, desenfreada, excessiva.

Cabe tornar meu momento eterno
Cabe tornar meu  instante imortal,
Cabe sublimar o que sou nessa ocasião
Cabe sim, ser transformada

Apresento-me incasta e não temo o mundo
Sendo assim EU PROMETO

Prometo a efervescência
Prometo a transformação
Prometo o oposto, o adversativo
O contrário, o desfavorável, o impróprio
Prometo cumprir.

Sendo assim convém:
Convém estranhar-me a qualquer momento
Convém mastigar a minha alma
Convém celebrar o que sou e sinto
Convém acreditar que sou OUTRA




Ao som de Michael Jackson ( Ben)

Foto: You_Don__t_Know_My_Secrets_by_ediquish



É o Que Me Interessa

Lenine

Daqui desse momento
Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
Assombram a paisagem.

Quem vai virar o jogo
E transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado
Só de quem me interessa.

Às vezes é um instante
A tarde faz silêncio
O vento sopra a meu favor
Às vezes eu pressinto e é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou
Me traz o seu sossego
Atrasa o meu relógio
Acalma a minha pressa
Me dá sua palavra
Sussurra em meu ouvido
Só o que me interessa.

A lógica do vento
O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa.
Ao som de amy Winehouse (Back to Black)


Foto: konchilis___sna_by_Eliara

27 de jul. de 2010

Na Fogueira

Raíça Bonfim
Em minhas entranhas
Mora uma bruxa louca
Berra lá de dentro
Curvo, rouca.
Vive no meu corpo
Como foi-se um dia
Presa na fogueira
Grita, grita.
Não posso exibi-la
Não quero mais sê-la
Está possuída
Bruxa! Bruxa!
Corto as unhas dela
Arranco seus dentes
Ela ainda fere
Quente, quente.
Em lua crescente
Vem feito serpente
Me morder a boca
Louca! Louca!
Toma minha fala
Chama por um nome
Chama me consome
Fogo, fome.
Peço que desista
Rezo pra niná-la
Nela não há pena
Choro, choro.
Viro mãe, menina
Viro irmã serena
Ela me condena
Mente! Mente!
Me sacode a carne
Danço toda em transe
Transa de poeira
Corro, corro.
Quando a lua enche
Ela busca o gozo
Ele tem um dono
Não! Me escondo.
Canto agonizando
Cigarra vadia
Ela ainda clama
Vem! Me toma!

Mas de manhãzinha
Afogada em sede
Rende-se na cama.
(ama)
Carne seca cede.
Morre. Morro.
Mais um dia.
Sempre...





Ao som de Apocalyptica (the unforgiven) do Mettalica

Foto: The_Porcelain_Doll_by_RGFoto

Seu Olhar

Seu Jorge

Temos rotas a seguir
Podemos ir daqui pro mundo
Mas quero ficar porque
Quero mergulhar mais fundo

Só de me encontrar no seu olhar
Já muda tudo
Posso respirar você
E posso te enxergar no escuro

Tem muito tempo na estrada
Muito tem
E como quem não quer nada
Você vem
Depois da onda pesada
A onda zen
É namorar na almofada
E dormir bem


Foi o seu olhar
O que me encantou
Quero um pouco mais
Desse seu amor..







Ao som de Apocalyptica - (I Don't Care)

Foto: Don__t_Speak___by_TheTragicTruth_Of_Me
Chico Buarque

"Acho uma delícia quando você esquece os olhos em cima dos meus."







Ao som de Sheryl Crow (If It Makes You Happy)

Foto: o tempo dos meus olhos ... by ~oprimeiroamor

Fabrício Carpinejar


"Não me importo de ser tua projeção, 
desde que eu possa escolher o filme."






Ao som de Sheryl Crow (All I Wanna Do

Foto: Generations_by_salgada

Fabrício Carpinejar

"A coragem não vem depois. 
A coragem vem antes ou não vem.
O que é imenso é estreito. 
O que é infinito fecha. 
Até o oceano tem becos e ruas sem saída. 
Até o oceano."






Ao som de Ney Matogrosso (Mal necessário)

Foto: Liberta_o_grito____by_MeninaLua

24 de jul. de 2010

Viagem


Leonice Rainho 

Lá vai o navio,
cortando o mar.

Lá vai o avião,
furando o ar.

É azul o céu
e verde o mar.

E eu fico pensando
na cor da saudade
 que os viajantes levam
da terra e do lar.




Ao som de Adriana Calcanhoto (Fico assim sem você)

Foto: Arquivo Pessoal


Martha Medeiros


"Quero o circo todo a que tenho direito: sedução, fantasia, tempo. 
Quero um romance longo, quero intimidade. 
Fazer cena de ciúme, terminar, voltar, amar, brigar de novo, 
telefonar, pedir desculpas, retornar. 
Amantes bem comportadas são um tédio."








Ao som de ADriana Calcanhoto (Justo agora)
Foto:

Sem Fantasia

(...) Eu quero te contar das chuvas que apanhei
das noites que varei no escuro até
buscar
eu quero te mostrar as marcas que ganhei nas
lutas contra o rei
nas discussões com Deus
e agora que cheguei
eu quero a recompensa
eu quero a prenda imensa dos carinhos
teus. (...)






Ao som de Adriana CAlcanhoto ( Esquadros)

Foto: Summers_Heat_by_escaped_emotions

Vivo

Lenine

Precário, provisorio, perecível
Falível, transitório, transitivo
Efêmero, fugaz e passageiro:
Eis aqui um vivo
Eis aqui um vivo

Impuro, imperfeito, impermanente
Incerto, incompleto, inconstante
Instavel, variável, defectivo
Eis aqui um vivo
Eis aqui

E apesar
Do tráfico, do tráfego equívoco,
Do tóxico do trânsito nocivo;
Da droga do indigesto digestivo;
Do cancer vir do cerne do ser vivo;
Da mente, o mal do ente coletivo;
Do sangue, o mal do soropositivo;
E apesar dessas e outras,
O vivo afirma, firme e afirmativo:
"O que mais vale a pena é estar vivo"

Não feito, não perfeito, não completo,
Não satisfeito nunca, não contente,
Não acabado, não definitivo:

Eis aqui um vivo

Eis me aqui








Ao som de Paula Toller (Meu amor se mudou pra lua) 

Foto:I_Dream_of_Summer_by_escaped_emotions

22 de jul. de 2010

Não Consigo Odiar Ninguém




Humberto Gessinger/Fonseca/Ayala/Aranha/Pedro A.




Não quero seduzir teu coração turista
Não quero te vender o meu ponto de vista
Eu tive um sonho e há muito não sonhava
Lembranças do futuro que a gente imaginava
Nem sempre foi assim, outro mundo é possível
Pode até ser o fim, mas será que é inevitável?





Ao som de Skank (Sutilmente)
Foto: . . . by oprisco

Todo Sentimento

Cristovão Bastos/Chico Buarque



Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo da gente.
Preciso conduzir
Um tempo de te amar,
Te amando devagar e urgentemente.

Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez,
Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez.

Prometo te querer
Até o amor cair
Doente, doente...
Prefiro, então, partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente.

Depois de te perder,
Te encontro, com certeza,
Talvez num tempo da delicadeza,
Onde não diremos nada;
Nada aconteceu.
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu.






Ao som de Nana Caymmi (Promessas)

Foto:  I_could_never_sleep_alone by nuozek




21 de jul. de 2010

Sou como você me vê...


Clarice Lispector

Sou como você me vê...posso ser leve como uma brisa ou
forte como uma ventania,depende de quando e como você me vê
passar...suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim
de sentir, de  entrar em contato...tenho uma alma muito prolixa e uso
poucas palavras, sou irritável e firo facilmente. Também sou muito calma
e perdôo logo.
Não esqueço nunca. Mas há poucas coisas de que eu me
lembre...Tenho felicidade o bastante para ser doce,dificuldades para ser
forte,tristeza para ser humana e esperança suficiente para ser feliz.
Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre. Não
me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração. Não me
façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que
sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de
mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com
certeza não serei a mesma pra sempre...Sou uma filha da natureza:quero
pegar, sentir, tocar, ser.

E tudo isso já faz parte de um todo, de um mistério.
Sou uma só... Sou um ser...a única verdade é que vivo.
Sinceramente, eu vivo.



Minha cara essas palavra de Clarice. Depois de uma conversa com minha amiga Nadja resolvi postar novamente.





Ao som de Pato Fu (Antes que seja tarde)
Foto: 8  by delirium

20 de jul. de 2010

Pose

Humberto Gessinger


Vamos passear depois do tiroteio
Vamos dançar num cemitério de automóveis
Colher as flores que nascerem no asfalto
Vamos todo mundo...tudo que se possa imaginar

Vamos duvidar de tudo o que é certo
Vamos namorar à luz do pólo petroquímico
Voltar pra casa num navio fantasma
Vamos todo mundo... ninguém pode faltar

Se faltar calor, a gente esquenta
Se ficar pequeno, a gente aumenta
E se não for possível, a gente tenta
Vamos velejar no mar de lama
Se faltar o vento, a gente inventa

Vamos remar contra a corrente
Desafinado coro dos contentes

Vamos velejar num mar de lama
Se faltar o vento a gente inventa

Vamos remar contra a corrente
Desafinado coro dos contentes.







Ao som de Engenheiros do Hawai com Participação de Clara Gessinger  (Pose)

Foto: Não sei a autoria

19 de jul. de 2010


Nane martins

Meninho
que beijo é esse tão cedinho?
Ah!  esqueci  do tudo tão marcadinho.





Ao som de Leila Pinheiro (Até quem sabe)
Foto: Xayallar_by_aydan_kerimli

18 de jul. de 2010

Colada à tua boca a minha desordem


Hilda Hilst

Colada à tua boca a minha desordem.
O meu vasto querer.
O incompossível se fazendo ordem.
colada à tua boca, mas
escomedida
Árdua
Construtor de ilusões examino-te
ôfrega
Como se fosses morrer colado à
minha boca.
Como se fosse nascer
E tu fosses o dia magnânimo
Eu te sorvo extremada à luz do
amanhecer.






Ao som de Ney Matogrosso (Mal necessário)
Foto: James_n_Lesley_4

17 de jul. de 2010

As coisas tão mais lindas

Nando Reis

Entre as coisas mais lindas que eu conheci
Só reconheci suas cores belas quando eu te vi
Entre as coisas bem-vindas que já recebi
Eu reconheci minhas cores nela, então eu me vi

Está em cima com o céu e o luar
Hora dos dias, semanas, meses, anos, décadas
E séculos, milênios que vão passar

Água- marinha põe estrelas no mar
Praias, baías, braços, cabos, mares, golfos
E penínsulas e oceanos que não vão secar

E as coisas lindas são mais lindas
Quando você está
Hoje você está
Onde você está
As coisas são mais lindas
Por que você está
Onde você está
Hoje você está
Nas coisas tão mais lindas




Ao som de Cássia Eller (Non, Je Ne Regrette Rien)
Foto: _MG_0997  by delirium

Sem Fantasia


Chico Buarque

Vem meu menino vadio, vem sem mentir pra você
Vem, mas vem sem fantasia,
que da noite pro dia você não vai crescer
Vem, por favor não me evites,
meu amor, meu convites
Minha dor meu apelos
Vou te envolver nos cabelos,
vem perder-te em meus braços
Pelo amor de Deus
Vem que eu te quero fraco,
vem que eu te quero tolo
Vem que eu te quero todo meu
Ah! Eu quero te dizer que o instante de te ver
Custou tanto penar, não vou me arrepender
Só vim te converncer
que eu vim pra não morrer
De tanto te esperar
E quero te contar
das chuvas que apanhei
Das noites que varei
no escuro a te buscar
E quero te mostrar
as marcas que ganhei
Nas lutas contra o rei,
nas discussões com Deus
E agora que cheguei eu quero a recompensa
Eu quero a prenda imensa dos carinhos teus




Ao som de ana Cañas (Esconderijo)
Foto: O by =Mark-Ingram

13 de jul. de 2010

Abundância




Não me contento com as migalhas que você quer me dar
Com os nichos de momentos que queira viver por mim
Posso até entender os instantes,
mas não vou fechar os olhos
A uma imensidão que se estende à minha frente.
O pouco sentimento, a falta de plenitude,
A desdenhosa atenção no regaço da manhã,
a fresta de afeto ao estilo blazé,
os intervalos de amor, os gaps de paixão.
Deixe as pontes aos rios, as frestas às portas, os intervalos à televisão
Intensifique o meu mundo e aflore a minha alma interminavelmente.
Quero aquecer ternos e sublimes momentos
e ser protagonista do enredo até o final.




Ao som de Lenine (Vivo)
Foto: __Cause_if_you_hadn__t_found_me_by_greenxin
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